sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Para o marcus

Ó meu anjo
Sábio.
Fabrico o teu
Barro,moldo
Teu bíceps tenso.
Guardo com zelo
Teu molhado azul
De ondas infinitas.
Protejo tua pia
Sapiência de andar
Descalço e sem rumo.
Arrumo tuas contas
Filosóficas em taças
De cristal.
Bebo contigo a graspa,
Bebida dos antigos
Príncipes adorados
Por suas mulheres
Loucas, fascinadas
Por coloridos
Mosaicos postos
Em rituais onde
Eros enfeita a casa.
Organizo a nossa
Teia de fios de
Seda.
Teço a costura de
Tua túnica amarela,
Enfeito teus cachos
Com saliva salgada,
Perfumo com ervas
Teu cérebro eterno.

sábado, 18 de julho de 2009

Bicos


Árvores encantadas
De sol
Me espinham o riso
Maduro e fértil
De dourados frutos
Acordados pelo vasto
Amor dessa mãe
Terra, que zomba
Da doce cantiga de
Ninar pequenos seres
Enfeitados com bicos
Maternos de sugar
A seiva pura que
Jorra no amanhecer
Aflorado em matas
Virgens.

Na foto: pintura em cabaça d'A Negra Ama Jesus

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Universo Vascular


Aventurar-se pelo mundo
Sem entender a lógica
Do rastro deixado
No caminho de pedras.
Abrir a alma para
O universo vascular:
Pequenos becos
Amanhecidos de fé
E espantosa luz
Celestial.
É quase um púlpito
Erguido nos becos.
A gente que habita ali
É feita de pedra; e cor.
Lança e punhal.
Medo e inocência.
Crueldade e candura.
Aventurar-se pelo mundo
À procura de gente
Sem entender como
Dói existir aqui,
Como dói ser
Nos bordéis, palácios,
Pendurados
Por um fio.
Quanta alegoria, quanto
Samba,
Muita morte e medo.
A pintura é dúbia.
“É bela e banguela a Guanabara.”

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Maria da Saia Lavada





Cheguei tarde na esquina.
Não sobraram covas de
Velhas índias douradas.
Cantei ao pé do cocar.
Sonhei com a lua encravada.
Nunca mais pude contar
Estrelas.
A tarde ficou gelada.
Sou eu, a índia cigana.
Maria da saia lavada.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Olhos de Tarsila


Dai-me senhor
Olhos de Tarsila.
Para que o meu
Templo seja arte.
Afina meus dedos
Tortos e meus
Pés doídos.
Que meu útero
Cansado descame-se
Em vermelho vivo
Para pintar a
Aurora.
Dai-me senhor
A beleza das mãos
Agitadas a moldar a vida.
Dai-me também
A linha curva da
Boa obra.
Que eu seja posta no
Espaço configurado
Pela minha retina solta.
Amém.